GIP – Grupos de Implicação e Pesquisa
Uma jornada de imersão para investigar as influências da sua história de vida e trajetória social.
O GIP
O Grupo de Implicação e Pesquisa (GIP) é um dispositivo vivencial e imersivo fundamentado na Sociologia Clínica. Nele, cada participante é convidado a explorar, de forma aprofundada, os vínculos entre sua história de vida e os determinantes sociais e psíquicos que atravessam sua trajetória pessoal e profissional. Alternando movimentos de implicação e distanciamento, os participantes ocupam simultaneamente o lugar de objeto e investigador de sua própria experiência.
Apoiando-se em suportes como a linha da vida, a árvore genealógica e o sociodrama emocional, organigrama etc, o GIP oferece um espaço grupal que favorece a escuta, a expressão emocional e a elaboração de sentidos.
Formato: O trabalho se dá em três dias consecutivos (sexta a domingo), das 9h00 às 17h, com grupos de 8 a 12 participantes.
Público-Alvo: Profissionais da saúde, educação, assistência social, consultores, Recursos Humanos, professores, pesquisadores (ciências humanas e sociais), militantes, ativistas, membros de ONGs e coletivos, gestores públicos e privados. Pessoas que desejam investigar os determinantes socio-psíquicos de sua trajetória de forma a compreender como agem no presente e na projeção do futuro.
Em 2026, nos dias 22, 23 e 24 de maio, no Rio de Janeiro haverá o Grupo de Implicação e Pesquisa – Frente à Vergonha.
Descrição
Preferimos não falar sobre a vergonha, mantendo-a em silêncio. A vergonha é uma ferida psíquica com múltiplas facetas, todos os aspectos da existência são afetados. Situada entre o psicológico e o social, a vergonha é um sentimento doloroso, profundamente humano e fundamental para os laços sociais. Os problemas da vergonha estão geralmente associados às violências humilhantes e desumanizantes, afiliações sociais, origens culturais, vícios, orientações sexuais, pobreza…dar-lhe nome e descrever suas facetas nos permite reconhecê-la, nomeá-la e curar as feridas das quais ela é um sintoma.
Este GIP ( Grupo de Implicação e Pesquisa) explora as origens da vergonha, tanto em si mesmo quanto nos outros, as reações defensivas e as estratégias de enfrentamento que ela provoca. Como podemos facilitar e sustentar discussões abertas sobre a vergonha e como podemos nos libertar dela?
O grupo examinará a natureza multifacetada da vergonha, suas interconexões ( social, sexual, moral, relacionada à identidade), as origens da vergonha e do orgulho, as formas humilhantes de violência que geram perda da autoestima e levam ao aprisionamento em um ciclo de vergonha.
Objetivos:
-Facilitar a expressão das experiências, encorajando a verbalizá-las.
-Reconhecer seu próprio envolvimento na experiência da vergonha.
-Explorar e reconhecer a própria vergonha para melhor compreender a dos outros.
-Obter uma compreensão mais profunda da natureza multifacetada da vergonha e explorar suas origens.
-Identificar as diferentes reações defensivas e mecanismos de enfrentamento empregados.
Metodologia:
Através de suportes que facilitam a expressão verbal e não-verbal, cada participante é convidado a explorar suas experiências pessoais e distanciar-se delas, em movimentos alternados de implicação e distanciamento.
Trata-se de um trabalho vivencial articulado às reflexões teóricas fundamentadas na sociologia clínica. O grupo produz análises sobre seus efeitos individuais e coletivo e também sobre as consequências a serem extraídas nos âmbitos político, social, profissional e pessoal.
O grupo acontece durante 3 dias consecutivos, das 9h às 17h (sexta, sábado, domingo)
Datas: 22, 23 e 24 de maio de 2026.
Número de vagas: máximo de 12 participantes
Temas Trabalhados
História de Vida: Romance Familiar e Trajetória Social
O "Romance Familiar e Trajetória Social” permite ao participante explorar sua genealogia, o conteúdo do projeto parental, o romance familiar entre as histórias de família e o contexto social. A partir do suporte grupal, buscamos compreender como as diferentes heranças recebidas, em seus múltiplos aspectos (sociais, culturais, históricos, ideológicos, econômicos, familiares, afetivos, sexuais), produzem efeitos nos percursos de vida. Cria-se, assim, uma forma de se confrontar com os conflitos e contradições que encontra em sua existência: “se não podemos mudar nosso passado, podemos mudar a relação que temos com ele”. A partir dessa compreensão, o sujeito pode revisitar sua relação com essas heranças, e agir sobre os efeitos que essas produzem em sua trajetória.
História de Vida e trajetória sócio-profissional
A vida profissional permite a cada indivíduo exprimir sua identidade, sua inserção social e seu lugar na sociedade. O trabalho é um meio de interpretar o mundo e de agir sobre ele para o transformar. O trabalho tem, portanto, um papel essencial na realização de si e é ao mesmo tempo uma ilustração da complexidade dos nós sócio -psíquicos que agem em cada um de nós. Neste grupo, refletiremos sobre o peso dos determinantes sociais e familiares (projetos parentais, processos de reprodução e de diferenciação e os modelos identificatórios), nas trajetórias profissionais, considerando as mutações do trabalho no mundo atual, que impõem um novo “estar no mundo”. Serão objetos de reflexão temas como estabilidade e mudanças, adaptação, sofrimento, estresse, conflitos nas relações profissionais e posturas frente à necessidade de reconhecimento e frente ao poder, determinando caminhos da vida profissional.
Paradoxos do sucesso, violências do fracasso
Vivemos em uma sociedade que glorifica o sucesso como sinônimo de autonomia e desempenho pleno – profissional, físico, emocional, sexual. Fracassar, portanto, é frequentemente vivido como falha pessoal. Mas o que realmente significa ter sucesso ou fracassar? Este grupo convida à análise dos paradoxos do sucesso e das violências simbólicas e subjetivas que acompanham o fracasso. A partir de narrativas pessoais e análise coletiva, abordaremos temas como ambição, vergonha, reconhecimento, expectativas parentais, valores sociais, modelos e determinantes psicossociais de sucesso e fracasso. A proposta é criar um espaço para compreender a complexidade dos sentidos atribuídos a essas experiências marcantes e como elas moldam nossa relação com o poder, o trabalho e os vínculos sociais